Outubro rosa vamos previnir o câncer de mama

jun 9, 2020 | Artigos, Oncologia

Outubro Rosa: conscientização mais do que necessária

Você certamente já ouviu falar sobre o Outubro Rosa, uma das mais famosas e importantes campanhas de conscientização. Algumas entidades e associações optam por empregar uma cor específica a determinados meses do ano, de modo a chamar atenção para sociedade civil referente aos perigos e problemas ofertados por doenças, transtornos ou mesmo situações, como os maus-tratos a animais. 

O mês de outubro, aliado à cor rosa, formam a campanha que previne, conscientiza e combate a população feminina sobre o câncer de mama, enfermidade que acomete as brasileiras de maneira alarmante. Segundo dados do Ministério da Saúde, são estimados 52.680 casos anuais. Proporcionalmente, estima-se o risco entre 52 a cada 100 mil mulheres brasileiras.

A campanha Outubro Rosa

O Outubro Rosa é mundialmente realizado, e também tem seu espaço de representação no Brasil. Criada no início da década de 1990, a campanha de conscientização e controle do câncer de mama foi idealizada pela Fundação Susan G. Komen for the Cure. Para se ter ideia, o INCA (Instituto Nacional de Câncer), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, participa da campanha Outubro Rosa desde 2010, promovendo debates, eventos técnicos e apresentações sobre a temática, bem como produzindo materiais educativos para disseminar informações sobre fatores de risco e formas de prevenção.

O movimento, intitulado “Corrida pela Cura”, aconteceu em 1990 em Nova Iorque, como forma de arrecadar fundos para a pesquisa orquestrada pela instituição Susan G. Komen Breast Cancer Foundation. O evento caminhava sem a participação de instituições, fossem elas públicas ou particulares. Com a medida de seu crescimento, outubro acabou sendo escolhido como o mês da conscientização nacional nos Estados Unidos. Aos poucos, a ideia foi sendo difundida ao redor do mundo. 

Sua primeira ação em território brasileiro se deu em 2002, no parque Ibirapuera, localizado na cidade de São Paulo. A iluminação do evento estava cor-de-rosa, no Obelisco Mausoléu ao Soldado Constitucionalista. Desde 2008, iniciativas de conscientização e combate, do chamado Outubro Rosa, passaram a se tornar cada vez mais recorrentes. Múltiplas entidades de prevenção e tratamento de câncer começaram, inclusive, a iluminar edifícios, monumentos e espaços públicos com a cor rosa, transmitindo a necessidade da prevenção, que é a mensagem fundamental da campanha.

Algumas das ações que podem ser elencadas como fundamentais do Outubro Rosa:

  • Ações em empresas, tanto privadas quanto em órgãos públicos;
  • Carretas de exames e mamografias por parte de hospitais públicos, bem como e incentivo à sociedade;
  • Palestras em escolas e universidades;
  • Divulgação de informações em folhetos;
  • Uso de redes sociais como meio de disseminação de informações.

A conscientização pode transformar vidas

O autoexame, também conhecido como exame de toque, é um dos principais tópicos abordados pela campanha do Outubro Rosa. Ele é importante para que a mulher possa conhecer seu corpo. Se realizado com frequência, o autoexame pode levar a mulher a ter percepção de quando seu corpo passa por alguma transformação ou mudança que possa parecer suspeita. Além disso, o exame de toque é uma medida de empoderamento para a paciente feminina frente aos cuidados com a própria saúde.

Contudo, existe um alerta por parte de médicos e demais especialistas: infelizmente, devido à proporção gigantesca que o Outubro Rosa possui, existem ônus na campanha, que acarretam em divulgações de informações não verdadeiras, o que pode promover o desserviço. A principal delas é que o autoexame é suficiente para prevenção do câncer de mama. Embora ele seja, sim, muito importante, não substitui de maneira alguma a mamografia, que deve ser feita regularmente, principalmente dentre pacientes que estejam dentro do quadro de grupos de risco.

A recomendação é que o exame de toque mamário deve ser feito em duas situações distintas: para mulheres que ainda se encontram em ciclo menstrual, poucos dias depois da menstruação, pois é quando as mamas se encontram menos inchadas. Para mulheres que já atravessaram a menopausa, ele pode ser feito em qualquer dia do mês.

Por dentro dos fatores de risco

Os fatores de risco que contribuem para o desenvolvimento de câncer de mama também são divulgados nas campanhas de Outubro Rosa. Alguns podem ser controlados, outros são meramente genéticos, mas merecem atenção especial quando for o caso.

  • Predisposição genética: se a mulher já teve duas ou mais parentes de primeiro grau que tiveram a doença, deve ficar atenta. Se a familiar em questão teve o tumor antes dos 45 anos, o cuidado deve ser redobrado;
  • Idade: entre 40 e 69 anos, a predisposição para que o corpo feminino adquira a doença é maior;
  • Não gravidez: engravidar significa amamentar o bebê, e isso estimula as glândulas mamárias, reduzindo a presença do hormônio estrógeno na região;
  • Maus hábitos: obesidade e colesterol alto são dois fatores que podem surgir devido a uma má alimentação e ao sedentarismo. A gordura pode se tornar, via enzima, hormônio estrógeno. Praticar atividade física e se alimentar adequadamente são medidas simples e eficazes de prevenção.

Os tratamentos disponíveis

Quando descoberto em estágios iniciais, o câncer de mama é um tipo de tumor altamente tratável, com chances de cura superiores a 90%. As chances diminuem um pouco, orbitando em torno dos 45%, quando os estágios do cancro já estão mais avançados, já que corre o risco do desenvolvimento de uma metástase (ou seja, o câncer se espalhar para outros órgãos do corpo). No entanto, independente do estágio da doença quando esta é descoberta, mais o importante é ter força de vontade e enfrentar a enfermidade junto a seu médico, fazendo os tratamentos adequados.

  • Cirurgia: em estágios iniciais, pode-se optar pela remoção do tumor em intervenção cirúrgica, com a reconstrução da mama;
  • Radioterapia: esta é indicada quando nem todo o tumor pode ser removido através da cirurgia, por exemplo;
  • Quimioterapia: o consumo de medicamentos via oral ou intramuscular leva à destruição das células cancerígenas em toda a corrente sanguínea, podendo ser indicado depois de uma cirurgia, e com tempo de duração a depender do tipo de câncer de mama e também de seu estágio.

Enfrentar uma batalha como a do câncer de mama é uma missão que requer apoio. Estar ao lado da família e de amigos é fundamental, mas também é possível fazer acompanhamento psicológico como forma de resistência. Dentre os objetivos do Outubro Rosa, a formação de grupos de apoio para mulheres que possuem a doença ou então que já se curaram dela, bem como a presença de profissionais da psicologia, se faz essencial para ajudar cada uma das pacientes a encarar as pequenas batalhas do dia a dia, propiciadas pelo câncer.

O símbolo rosa

O Outubro Rosa tem um simbolismo representado por um laço cor-de-rosa. O primeiro laço que teve representação na história, contudo, foi da cor amarela, apresentado em uma marcha entoada pelo exército americano. Em 1917, George A. Norton cantou a música “Round Her Neck She Wears a Yellow Ribbon” pela primeira vez, mas sua difusão e popularidade na voz de diversos cantores se deu somente na década de 1940.

Inspirada nesta canção, a esposa de um refém no Irã, Penny Laigen, foi a primeira mulher a utilizar o laço como sinal de alerta: pendurou laços amarelos em diversas árvores, representando seu desejo de ver o marido de volta ao lar. Aos poucos, toda a sociedade americana foi percebendo a força simbólica e representativa do laço: ele queria dizer força, resistência. 

Na década de 1990, militantes dos Estados Unidos, unidos contra a epidemia de AIDS, criaram laços de apoio para os que lutavam contra a doença, na cor vermelha, por esta representar a paixão. O mês de conscientização da AIDS, por exemplo, é o Dezembro Vermelho.

O jornal americano The New York Times declarou 1992 como o ano do Laço Cor-de-Rosa. O primeiro laço desta cor foi introduzido pela fundação de combate ao câncer de Mama Susan G. Komen, que ofereceu bonés cor-de-rosa às sobreviventes do câncer de mama que faziam parte da Corrida para a Cura desde 1990. 

Tempos mais tarde, em 1991, todos os participantes do evento de Nova Iorque ganharam um laço rosa. Alexandra Penny, editora-chefe da revista Self, dedicada à saúde feminina, e Evelyn Lauder, vice-presidenta da Estee Lauder, criaram em 1992 um laço e fizeram com que grandes empresas de cosméticos os distribuíssem em lojas nova iorquinas.

O simbolismo está presente em diversas campanhas de conscientização, cada uma em um mês, cada uma de uma cor: temos o Setembro Amarelo, que previne o suicídio, e o Novembro Azul, que combate o câncer de próstata. Estas são as mais populares, porém, existem diversas outras campanhas de conscientização de igual importância, como o Abril Azul (autismo), Janeiro Branco (saúde mental), Julho Vermelho (incentivo a doações de sangue), Maio Amarelo (prevenção aos acidentes de trânsito), Fevereiro Roxo (conscientização sobre lúpus, Mal de Alzheimer e fibromialgia) e Março Azul Escuro (câncer colorretal), dentre outras.

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