Como surge o câncer?

set 24, 2021 | Artigos, Oncologia

O câncer é uma doença altamente temida em todo o mundo, afinal, quando diagnosticado em estágio avançado, a cura pode ser muito difícil. Por isso, é comum que muitos procurem por preventivas para evitar que a doença possa se
desenvolver. A pergunta que fica é: o que causa o câncer?


É importante ter em mente que existem diversas possíveis causas da doença, afinal, o termo “câncer” pode ser subdividido em muitas categorias, como os cânceres de pele, mama, próstata e muitos outros. E cada câncer de cada órgão pode ser também um conjunto de doenças diferentes. De modo geral, existem fatores internos e externos que podem levar ao desenvolvimento de tumores malignos e é possível aplicar pequenas medidas para evitar as chances do aparecimento da doença.

O que causa o câncer?

Como dissemos anteriormente, não existe um motivo único que faz com que o câncer surja. A medicina divide os agentes causadores em dois grandes grupos: os internos e os externos. O primeiro faz referência aos fatores genéticos,
epigenéticos e susceptibilidades herdadas provenientes da natureza do próprio indivíduo e que fazem com que o corpo possa ser terreno fértil para o desenvolvimento das neoplasias. Dentre os mais importantes nessa categoria, podemos citar hormônios, condições imunológicas e mutações genéticas geradas por nosso próprio organismo (Ex: família enzimática APOBEC).


Quantitativamente, estima-se que a quantidade de pacientes com câncer causado por fatores internos varie entre 30 e 50% do total de casos, deixando a outra metade na conta dos agentes externos. Nesse grupo estão inclusos fatores ambientais potencialmente causadores de câncer, ou seja, qualquer tipo de fator etiológico ao redor do indivíduo que contribui para maiores chances de desenvolver câncer.


Alimentos, medicamentos, produtos produzidos pela indústria (Ex: amianto), infecções (Ex: HPV, H. pylori), traumas físicos repetidos (Ex: inflamação crônica), queimaduras, exposição solar, uso de tabaco e de álcool, exposição à radiação ionizante, são todas interações de nossa vida com potencial de ajudar no desenvolvimento do câncer quando ocorrerem em um ambiente favorável e em número suficiente.


A interação entre fatores ambientais e predisposição orgânica interna é, na verdade, o determinante do aparecimento do tumor. Em outras palavras, nem todos que fumam terão câncer de pulmão, mas todos que fumam têm maiores
chances de desenvolver câncer. Esse raciocínio é extremamente importante para entendermos o caráter estatístico das interações com o ambiente, ou seja, o risco de tudo o que fazemos para o aparecimento final de uma doença
oncológica.


É possível evitar o câncer?


Adotar um estilo de vida mais saudável ajuda a diminuir as chances de desenvolver um tumor maligno. Evitar alimentos ultraprocessados, ter uma dieta sem frutas e vegetais, não fazer uso de tabaco e usar álcool em demasia, por exemplo, aliados a uma rotina de exercícios colabora imensamente com o bem-estar do indivíduo e diminui suas chances de desenvolver um processo biológico que culmine no câncer.


Mas, como tudo na vida, não há certeza absoluta de que não desenvolvamos um tumor. Os fatores intrínsecos ao indivíduo ainda podem ser o gatilho inicial desse processo que culmine no câncer. Dentre esses fatores, estão síndromes
genéticas hereditárias (Ex: BRCA 1 e 2, Síndrome de Li-Fraumeni, síndrome de Lynch…), mutações outras que ocorrem ao acaso em nosso DNA, ou mutações provocadas por sistemas enzimáticos internos.


É por conta desse cenário que a realização de exames periódicos preventivos ajuda no diagnóstico precoce e são determinantes na cura dessa doença. Precisamos lembrar que não são todos tipos de tumores que têm exames que
detectem seu aparecimento precocemente, mas para aqueles que possuem tais exames, devemos realizá-los para ter o benefício de sua proteção.


Muitas sociedades e autoridades governamentais de saúde possuem recomendações de exames periódicos preventivos, deixo aqui uma sugestão de exames baseada na US Preventive Service Task Force e em algumas particularidades para a população brasileira, de sociedades de especialidades médicas. Note que as recomendações podem ser diferentes dependendo da fonte usada.


A USPSTF recomenda mamografia de rastreamento bienal para mulheres de 50 a 74 anos. A USPSTF recomenda o rastreamento do câncer de colo de útero a cada 3 anos apenas com citologia cervical em mulheres de 21 a 29 anos. Para mulheres de 30 a 65 anos, a USPSTF recomenda a triagem a cada 3 anos apenas com citologia cervical, a cada 5 anos apenas com teste de papilomavírus humano de alto risco (hrHPV) ou a cada 5 anos com teste de hrHPV em combinação com
citologia (cotesting). No Brasil, recomendamos a citologia cervical (Papanicolau) anual a partir dos 21 anos, e em duas citologias sem alterações, esse exame pode ser bianual.


A USPSTF recomenda o rastreamento do câncer colorretal a partir dos 50 anos e continuando até os 75 anos. Os riscos e benefícios dos diferentes métodos de rastreamento variam. Colonoscopia a cada 10 anos é a recomendação no Brasil.

A USPSTF recomenda a triagem anual para câncer de pulmão com tomografia computadorizada de baixa dose (LDCT) em adultos de 55 a 80 anos que têm uma história de tabagismo de 30 maços/ano e atualmente fumam ou pararam de fumar nos últimos 15 anos. O rastreamento deve ser interrompido assim que a pessoa não fumar por 15 anos ou desenvolver um problema de saúde que limite substancialmente a expectativa de vida ou a capacidade ou vontade de fazer uma cirurgia pulmonar curativa.


A USPSTF recomenda aconselhar jovens adultos, adolescentes, crianças e pais de crianças pequenas sobre como minimizar a exposição à radiação ultravioleta (UV) para pessoas de 6 meses a 24 anos com tipos de pele clara para reduzir o risco de câncer de pele.

A USPSTF recomenda que a decisão de fazer o rastreamento do câncer de próstata deve ser individual. No Brasil, homens de 50 a 70 anos devem fazer PSA e toque retal anualmente.

A USPSTF recomenda mamografia de rastreamento bienal para mulheres de 50 a 74 anos. No Brasil, o ministério da saúde recomenda mamografia anual a partir dos 50 anos e a Sociedade Brasileira de Mastologia, a partir dos 40. Ambas até os 74 anos.

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