Câncer de pele: tudo que preciso saber à respeito

jun 9, 2020 | Artigos, Oncologia

O câncer de pele, como você deve imaginar, é um tipo de tumor que atinge toda a pele, mas o que você não deve saber é que o tipo mais comum e frequente de câncer no Brasil e no mundo.

Seu perigo é iminente, uma vez que é causado por exposição excessiva ao sol. É muito raramente registrado em crianças, e é bem mais comum em quem possui mais de 40 anos. Anualmente, cerca de 180 mil brasileiros são diagnosticados como portadores de câncer de pele não melanoma no Brasil segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA).

Os dois tipos de câncer de pele

O câncer de pele surge em decorrência do crescimento anormal de células da nossa pele. Ele existe em duas versões: o melanoma e o não melanoma.

Câncer de pele melanoma

O câncer de pele tipo melanoma é um tumor maligno originário das células mais profundas de epiderme – os melanócitos –, que é a porção mais superficial da nossa pele. Essas células, em geral, produzem um pigmento escuro, e pode ocorrer em órgãos como pele, olhos, orelhas, trato gastrointestinal, membranas mucosas e genitais. Comumente, esse crescimento é irregular e assíncrono, levando ao aparecimento de lesões (“pintas” ou úlceras – “feridas”) Assimétricas, de Bordas irregulares, com diversas tonalidades de Cores diferentes, com mais de 6 mm de Diâmetro e Evoluem com alteração de suas características ao longo do tempo. A regra do ABCDE é uma boa forma de se tentar identificar essas lesões.

É um câncer perigoso, já que pode invadir qualquer outro órgão e formar metástases facilmente atingindo outros órgãos, como o fígado, os pulmões e o cérebro. O melanoma cutâneo tem registro menor do que outros tipos de câncer de pele, mas sua incidência vem aumentando nos últimos anos. Existem alguns tipos clínicos de câncer de pele melanoma, como o melanoma nodular, o melanoma lentiginoso acral, o melanoma maligno disseminado, o melanoma uveal e o melanoma lentigo maligno.

Câncer de pele não melanoma

Esse é o tipo de câncer mais frequente no Brasil e no mundo, possui um número estatístico alarmante: corresponde a cerca de 30% dentre todos os casos de neoplasias diagnosticadas em território nacional. No entanto, é o tipo de câncer de pele pouco menos agressivo e é altamente curável, principalmente se diagnosticado precocemente.

O câncer de pele não melanoma é dividido entre carcinoma basocelular (CBC) e carcinoma espinocelular (CEC). O primeiro tipo é o mais comum, e consiste em cerca de 70% de todos os casos. Muito provavelmente você já viu alguém com esse tumor. São tumores caracterizados por lesões verrucosas em pele, geralmente em áreas expostas ao sol, de aparência elevada e brilhante, translúcida, avermelhada, castanha ou multicolorida, e que pode sangrar facilmente. É um tumor indolente, ou seja, de crescimento lento e que demora para causar metástases.

Já o carcinoma espinocelular (CEC) é o segundo tipo mais frequente de câncer de pele, perdendo apenas para o CBC. Esse tipo de tumor surge das células da camada mais superficial da pele, nas células escamosas. Partilha dos mesmos fatores de risco do CBC, como exposição solar, e por isso costuma também aparecer em áreas foto expostas – nariz, orelhas, nuca, rosto, pescoço. A pele onde aparece um CEC geralmente mostra sinais de queimaduras solares. É muito mais fácil vermos essas lesões em homens do que em mulheres, segundo dados estatísticos do INCA. Em áreas de queimadura em nossa pele, não só de origem solar, podemos ver aparecer um CEC de pele. Também é altamente tratável, mas a maior gravidade de seu registro deve à possibilidade de provocar metástase mais rápido do que o CBC.

De olho nos fatores de risco do câncer de pele

Qualquer pessoa está propensa a desenvolver o câncer de pele em qualquer fase da vida, mas a pigmentação da pele costuma ser fator decisivo na hora de calcular a probabilidade do desenvolvimento da doença.

Com exceção de pessoas que já possuam algum outro problema cutâneo, o câncer de pele é menos comum em crianças e negros. Contudo, como pessoas mais jovens vêm se expondo cada vez mais aos raios solares, a incidência em menores de idade pode aumentar. A população negra tem uma proteção natural da melanina, que a protege da incidência desses tumores relacionados à exposição solar.

Fatores de risco para o câncer de pele:

  • Pessoas de pele branca e/ou com olhos claros (verde ou azul);
  • Pessoas albinas;
  • Pessoas que trabalham sob exposição direta ao sol;
  • Excesso de exposição repetida ao sol;
  • Pessoas com histórico familiar deste tipo de câncer;
  • Pessoas com doenças cutâneas;
  • Permanência em câmaras de bronzeamento artificial;
  • Exposição crônica ao arsênio;
  • Exposição à radiação ionizante (como as que achamos em acidentes de usinas nucleares).

É válido citar que a exposição ao sol é benéfica ao organismo, principalmente devido à vitamina D, mas deve ser feita de maneira comedida e em horários adequados, de baixa intensidade solar. Em excesso, o sol pode causar envelhecimento precoce e lesões oftalmológicas, além do próprio câncer de pele.

Identificação do câncer de pele

É essencial suspeitar de qualquer mudança persistente na pele. Se identificadas lesões incomuns, um dermatologista deve ser procurado para realização de diagnóstico e tratamento. Quanto antes descoberta a doença, mais eficazes serão os resultados do tratamento.

Para a identificação precoce do câncer de pele, existem estratégias de diagnóstico precoce e de rastreamento, sendo esse último a aplicação de exames em indivíduos saudáveis, sem sintomas da doença, com objetivo de identificar a doença em fase pré-clínica. Um bom exemplo disso é a realização de dermatoscopia por um profissional dermatologista experiente, anualmente, para detecção de lesões suspeitas.

Em relação ao câncer de pele não melanoma, seu diagnóstico em estágio inicial ou também de lesões pré-malignas faz com que os resultados do tratamento sejam ainda mais eficazes, com chances grandes de cura e baixa possibilidade de sequelas cirúrgicas.

Pessoas que possuem maior risco para desenvolvimento de melanoma (como as que têm histórico familiar), recomenda-se que sejam frequentemente examinadas por um médico. Indícios não científicos mostram que muitos pacientes têm descoberto tumores melanomas acidentalmente, apesar de não existir técnica específica recomendada de autoexame cutâneo.

Isso reforça a importância de conhecer bem a própria pele e saber reconhecer mudanças e anormalidades. A sensibilização de indivíduos com maior risco permite que, com as lesões suspeitas devidamente identificadas, o diagnóstico desse tumor possa ser feito precocemente por um médico.

O câncer de pele pode variar bastante em sua aparência. Qualquer novo sinal ou mudança, em pinta/mancha já existente, pode servir como alerta na busca por um dermatologista. É comum o uso de uma regra didática ABCDE, com finalidade de identificar um câncer de pele em estágio inicial:

  • Assimetria: pense em uma divisão no meio da pinta e averigue se os dois lados são iguais. Se estiverem com diferenças, o caso deve ser investigado;
  • Bordas irregulares: procure ver se a borda está irregular, não uniforme, com contorno mal definido;
  • Cor: verifique se existem várias cores mescladas em uma mesma pinta ou mancha;
  • Diâmetro: atente-se se a pinta ou mancha está crescendo de maneira gradual;
  • Evolução: fique de olho se a mancha apresentar mudanças em sua cor, seu tamanho ou sua forma.

Sintomas e tratamento

Os sintomas do câncer de pele podem variar em casos diferentes. O carcinoma basocelular pode registrar somente uma aparência um pouco diferente da pele normal, sendo mais recorrente no rosto, pescoço e outras partes que ficam frequentemente expostas ao sol. Ele tem semelhança de protuberância, ou nódulo, que:

  • Possui aparência de pérola, como se estivesse coberto de cera;
  • Pode ter cor branca, rosa, bege ou marrom;
  • Comumente registra sangramento;
  • É uma ferida que não cicatriza nunca;
  • Pode se tornar uma crosta que vaze líquido.

O carcinoma espinocelular tem localizações mais frequentes em áreas extremamente expostas ao sol, sendo 70% das ocorrências na cabeça (couro cabeludo e orelha), pescoço e mãos. Também pode acometer a boca e regiões genitais. Ele surge como um caroço que:

  • Evidencia sinais de dano solar na pele, como enrugamento, escurecimento da pele e perda da elasticidade;
  • Possui cor vermelha;
  • Tem consistência mais dura, com descamação, além de crostas na região afetada, podendo haver vazamento de líquido;
  • Possui crescimento gradual e acelerado.

Já o melanoma pode ser registrado na pele, nos olhos, nas orelhas ou em regiões genitais. As áreas mais tradicionalmente afetadas são o dorso para os homens e os braços e pernas para as mulheres. Os primeiros sinais de câncer de pele melanoma são comumente:

  • Mudança em uma mancha ou pinta já existente;
  • Nascimento de uma nova mancha ou nova pinta bem pigmentada ou de aparência estranha em sua pele;
  • Outras mudanças suspeitas e menos comuns podem ter coceira, comichão, sangramento e difícil cicatrização.

A cirurgia oncológica é o tipo de tratamento mais adequado para cuidar do câncer de pele, fazendo a retirada da lesão, que, quando diagnosticada em estágio inicial, pode ser realizada em nível ambulatorial, sem necessidade de internação.

Já em casos mais avançados ou então para o câncer de pele melanoma, o tratamento pode variar de acordo com o tamanho do tumor, podendo ser recomendadas, além de cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia e a imunoterapia, dependendo de cada caso.

Também pode ser indicada a terapia fotodinâmica, que consiste no uso de um creme fotossensível e, posteriormente, a aplicação de uma fonte de luz. Trata-se de mais uma opção de tratamento para a ceratose actínica (lesão precursora do câncer de pele), carcinoma basocelular superficial e carcinoma epidermoide “in situ” (Doença de Bowen), que são casos mais raros de câncer de pele.

Prevenir é melhor do que remediar

A maior indicação para prevenção do câncer de pele, seja qual for, é evitar a exposição excessiva ao sol, principalmente para indivíduos com predisposição genética ou com pele exageradamente branca.

Os horários em que os raios solares estão mais intensos são os principais a serem evitados, determinados entre 10h e 16h. O uso de óculos de sol com proteção UV, roupas de proteção ao corpo, chapéus com abas largas, sombrinhas e filtros solares com fator de proteção solar (FPS) 15 ou mais.

Este último é fundamental, principalmente em casos de exposição solar inevitável, como quando se trabalha ao sol

Também são cada vez mais frequentes e disponíveis roupas e acessórios com proteção UV, que reforçam a proteção contra raios solares. Em horários de pico solar (como meio-dia), é fundamental que se busque proteção, uma boa sombra embaixo de árvores ou toldos é sempre um bom refúgio.

Genética

Você já deve ter ouvido que o câncer é uma doença genética ou deve ter se perguntado se você mesmo não teria mais chances de ter câncer se um parente próximo tenha sido diagnosticado.

A resposta para essas perguntas é: Depende. “Na medicina como no amor, nem nunca, nem sempre” já diz o aforisma A resposta para essas perguntas é: Depende. “Na medicina como no amor, nem nunca, nem sempre” já diz o aforisma famoso entre os médicos. Trabalhos científicos mostram que cerca de metade dos casos de câncer de pele melanoma têm relação com a exposição solar. Assinaturas genéticas de lesão no DNA provocada por raios UV nos contam que aquele tipo de tumor analisado teve sua origem em um raio de sol recheado de ultravioleta. Entretanto na outra metade dos casos não conseguimos identificar essas assinaturas.

Identificamos um tipo de alteração genética nos casos de melanoma não relacionados à exposição solar que possibilitou o desenvolvimento de medicações orais capazes de controlar o crescimento desses tumores. Hoje em dia, em bons locais de tratamento de câncer, essas medicações são usadas frequentemente, uma vez identificadas essas alterações genéticas específicas denominadas mutações do gene BFAF. Essas medicações ajudaram a melhorar índices de cura e controle de doenças, mesmo naquelas metastáticas.

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