Câncer de mama: causas, sintomas, tratamento e prevenção

jun 9, 2020 | Artigos, Oncologia

câncer de mama, dentre todos os tipos de tumores, é certamente um dos que mais se fala a respeito. Dentre muitas outras formas de conscientização, comumente veiculadas na televisão, nas redes sociais e em espaços públicos, tais como comunidades, escolas e postos de saúde, a mobilização para conscientização do câncer de mama tem como bandeira uma campanha chamada Outubro Rosa

Não poderia ser diferente, dado que é o tipo de câncer que mais mata mulheres, anualmente, no mundo. Estima-se, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), que são registrados 1,38 milhões de casos por ano, sendo destes 458 mil fatais. Para tanto, é mais do que necessário desmistificar o câncer de mama, alertar e conscientizar a população, sobretudo feminina, sobre seus riscos, seus sintomas, suas causas, seus fatores de risco e seus tipos de tratamento. Prevenir é sempre o melhor remédio.

Como identificar o câncer de mama

câncer de mama é um tipo de tumor maligno que surge nas glândulas mamárias em decorrência de alteração genética nas células da região, às quais passam a se dividir de maneira descontrolada. Para combatê-lo, é sempre necessário identificá-lo, e uma das maneiras preventivas mais incentivadas por médicos é o autoexame. 

Os sintomas, contudo, podem variar de acordo com o tamanho do cancro e o estágio em que o mesmo se encontra. É importante ressaltar que algumas mulheres podem vir a desenvolver o câncer de mama e apresentar poucos ou nulos sintomas, o que reforça ainda mais a necessidade de que sejam feitos exames periódicos em todas as mulheres.

Conhecer as próprias mamas é a maneira mais eficaz para se identificar se algo ali está fora do normal, e imediatamente buscar ajuda médica. O autoexame pode ser feito em qualquer época do mês para mulheres que já tenham passado da menopausa, mas as que ainda se encontram em ciclo menstrual devem optar pela realização do autoexame preferencialmente em dias posteriores ao da menstruação. É neste período, por exemplo, que as mamas se encontram em situação de menor inchaço. 

Ao perceber qualquer sinal mínimo de alteração, a recomendação é procurar um médico, mesmo que os sintomas tenham surgido pouco depois da última mamografia ou de algum exame clínico de mamas feito por profissionais da área da saúde. Os sintomas, que podem variar de mulher para mulher, são:

  • Ferida na mama;
  • Nódulos perceptíveis;
  • Vermelhidão na pele e inchaço;
  • Irritação de uma parte da mama;
  • Secreção de cor escura;
  • Pele enrugada;
  • Alterações nos mamilos;
  • Dor incômoda na mama ou no mamilo;
  • Nódulo nas axilas;
  • Retração da pele da mama ou do mamilo.

É importante ressaltar que em muitos casos a vermelhidão na pele e até mesmo o inchaço registrado nas axilas podem indicar inflamação ou infecção, que podem causar dor. Entretanto, existente uma forma rara de câncer de mama que surge como inflamação, ou seja, este tipo de situação deve ser comunicada a um médico de igual maneira a outros sintomas, e o exame clínico é indispensável.

Infelizmente, muitos casos são diagnosticados em estágio avançado ou metastático, que é quando o cancro se espalha para outros órgãos do corpo. Os sintomas já citados podem variar de acordo com a área que o câncer sob efeito de metástase alcança, e ele pode corroer os ossos, pulmões ou até mesmo o cérebro.

Assim como outras doenças, o câncer de mama apresenta alguns tipos e subtipos variantes, que podem ser elencados a seguir:

Tumor não invasivo

câncer de mama não invasivo ou câncer in situ é o que está contido em algum ponto da mama, mas não se alastra para outros órgãos, já que não há o rompimento da membrana que reveste o cancro, permitindo que as células afetadas pela doença fiquem conectadas apenas dentro de um mesmo nódulo. O invasivo se dá quando a membrana se rompe e as células cancerígenas se espalham, mas é válido citar que todo a maioria dos cânceres não invasivos acabam se tornando invasivos.

Subtipos: histologia do câncer de mama

Alguns termos médicos podem soar confusos aos pacientes, mas o câncer de mama possui variações como subtipos, que são como “sobrenomes” para as histologias da doença. Existem:

 Carcinoma ducta in situ:

O mais comum não invasivo, que afeta os ductos que conduzem leite na mama, não invadindo outros tecidos e não rompendo a membrana que o reveste;

Carcinoma ductal invasivo: 

Ele acomete o mesmo local do anteriormente citado, mas se diferencia por poder atingir os tecidos próximos da região, representando de 60% a 80% dos tipos de câncer de mama invasivo, podendo crescer localmente ou se espalhar para outras regiões por meio de vasos linfáticos

Carcinoma lobular in situ: 

Nasce nas células de lobos mamários e não consegue invadir tecidos próximos;

Carcinoma lobular invasivo: 

Também situado na região dos lobos, mas com o poder de se espalhar por outros órgãos, e que apresenta receptores dos hormônios estrógeno e progesterona, podendo comumente afetar as duas mamas

Carcinoma inflamatório:

Conhecido como triplo negativo, dificilmente possui receptores hormonais, sendo a forma mais rara, porém também mais agressiva, do câncer de mama, com grande poder de extensão e de terminar em metástase;

Doença de Paget: 

Acomete a aréola ou mamilos, sendo o mais raro dos tipos de câncer de mama. Ele se dá por alterações nos mamilos, mas muitas vezes pode não apresentar sintomas.

De olho nos fatores de risco

câncer de mama nunca tem uma causa específica e única, mas existem fatores de risco, que podem estar relacionados à genética, maus hábitos ou mesmo idade. Os principais são:

  1. Idade: mulheres entre 40 e 69 anos são mais facilmente acometidas pela enfermidade;
  2. Histórico familiar: dois ou mais familiares de primeiro grau que tenham tido câncer de mama, principalmente se um deles teve a doença antes dos 45 anos;
  3. Problemas hormonais: a menstruação precoce ou a menopausa tardia (que sinalizam excesso de produção de estrógeno) e a busca por reposição hormonal feito para retardar os efeitos da menopausa;
  4. Obesidade: o tecido gorduroso, sobretudo após a menopausa, passa a atuar como um produtor de hormônios. Sob enzima, a gordura da mama é convertida em estrógeno. O índice de risco piora para mulheres com IMC (Índice de Massa Corporal) superior a 30;
  5. Mulheres que não engravidaram: a amamentação estimula as glândulas mamárias e reduz a quantidade de estrógeno na corrente sanguínea;
  6. Colesterol alto: esta é a gordura que funciona como matéria-prima para produção de estrógeno.

No consultório médico

Ao se procurar um médico, é comum que as mulheres sejam ‘entrevistadas’ pelo profissional de saúde, já que ele precisará saber do histórico familiar da doença, datas de início da fase de menstruação, idade e outras questões associadas ao fator de risco. 

Para tanto, é importante aproveitar o momento diante do médico para sanar toda e qualquer dúvida referente à doença. Não tenha medo de perguntar e faça todas os questionamentos. Ir acompanhado de alguém de sua confiança também é uma boa maneira de se gravar as informações necessárias que o médico dirá.

Algumas das dúvidas mais frequentes dentre as pacientes são os efeitos colaterais mais e menos comuns do tratamento, a previsão da duração do tratamento, os exames necessários, se haverá necessidade de internação ou de dieta alimentar, se o câncer pode retornar uma vez curado, se pode ser feita reconstrução mamária, dentre outras perguntas muito pertinentes a essa fase delicada. 

O fundamental é não ter medo da doença e procurar enfrentá-la de frente, fazendo todo o tratamento conforme o profissional de sua confiança indicar.

Tratamento contra o câncer de mama

São vários os tratamentos médicos existentes para combater o câncer de mama, e variam de acordo com o tipo e o estágio da enfermidade. Existem os tratamentos locais, que visam tratar o tumor localmente, sem afetar outras partes do corpo. 

Para o câncer de mama, este tipo de tratamento local inclui a cirurgia e a radioterapia. Como é a forma mais antiga conhecida, a cirurgia tem maior eficácia quando feita com a doença ainda em estágio inicial: as chances de cura ultrapassam os 90% e a retirada é fácil e sem o comprometimento da mama. 

Já a radioterapia utiliza radiação ionizante no local do cancro. Com duração aproximada de 30 dias, a radioterapia é utilizada em casos em que o câncer não se espalhou nem houve metástase, como nos casos em que não é necessária a retirada de grande parte da mama ou quando o tumor não pode ser totalmente removido na intervenção cirúrgica. 

Também existem os tratamentos sistêmicos, referidos ao uso oral de medicamentos, ou diretamente na corrente sanguínea, objetivando atingir as células cancerígenas, estejam elas em qualquer parte do corpo. São disponibilizadas a quimioterapia, a terapia alvo e a terapia hormonal.

Caso surjam dúvidas quanto o câncer de mama, seus fatores de risco, suas formas de tratamento, seus sintomas ou quaisquer que sejam os questionamentos referidos à doença, entre em contato conosco: pergunte, participe, faça sua sugestão.

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